... may our thoughts never be against our feelings...

terça-feira, maio 31, 2005

Mão



E por entre os dedos

Da mão que esticara
Apenas sentiu o pouco ar
Que ainda lhe restara
E pensou: “ Que importa?
A vida tem mais do que uma porta
Mesmo que dê para um abismo…”
E ficou sossegada
Só manteve a mão esticada
Pois a vida havia de lhe dar
Aquilo a que estivesse destinada
Muito, pouco ou nada
Engoliu o ar que sobrara
E desistiu… conformada!

31 Maio 2005
Nina
sentido por Ninagasol às 1:05 da tarde | |

segunda-feira, maio 23, 2005

Esperas...

Pegas nas letras

Rasgas as palavras

Falas no vento

Gritas no silêncio

E esperas assim

Matar o sentimento

Que já me matou a mim…

22 Maio 2005
Nina

sentido por Ninagasol às 10:49 da manhã | |

sexta-feira, maio 20, 2005

Deixa-me falar-te de uma coisa
Que me entristece há algum tempo
Dela só falamos quando algum corvo poisa
E mesmo assim, só por um breve momento.

“Os sons que oiço, vêem de onde?
Os olhos constantemente abertos,
As duas margens sem ponte
E os trilhos incertos?”


Deixa-me dizer-te um segredo
Daqueles que nunca de mim soaram
Mesmo que o corvo tenha medo
Mesmo que os sons não parem
Deixa-me falar por um momento
Das coisas que me entristecem.
sentido por I Am No One às 11:11 da manhã | |

segunda-feira, maio 16, 2005

Parede branca

Apenas se sentiu o nó

Se cheirou a dor

Se tocou o grito

Pois naquela parede branca

Só alguém aflito

Reparou na cor

Que como uma marca escorria

Calada e suavemente

Naquela parede tão branca

Uma alma partia…

16 Maio 2005
Nina

sentido por Ninagasol às 7:49 da tarde | |

quinta-feira, maio 12, 2005

Nada


Saiu de casa…

Começou a correr
Desalmada
Na busca perdida
Do nada
Pois era o nada que queria
E o sol queimava
E o vento rasgava
E a dor crescia
O caminho deixou de ser
Apenas um trilho a percorrer
E o coração batia
E a pulsação saltava
E o abismo do qual se aproximava
Esperava… por ela
Um num passo que não parou
Na corrida que não estancou
Deixou que saltasse, com calma
Aquela que já não era alma…
… E muito menos a dela.

O que restou
Levou para casa
Sem correr, sem nada…

12 Maio 2005
Nina
sentido por Ninagasol às 12:37 da manhã | |

quarta-feira, maio 11, 2005

“Que o prazer de me sentir morrer não me prolongue a vida”

Encontro-me rodeado de árvores grandes demais para subir, juntas demais para por elas passar, e arbustos, e silvas tudo junto forma uma cerca, tudo junto uma prisão sem grades, sem portas nem janelas…



Neste dia cinzento
Falo-te de amor
Aquele que o poeta escreve
Que o escultor faz nascer
Mas como?
Nunca o soube dizer
Nunca o meu amor será o de Fernando
Ou mesmo o de sophia
Em mim o amor aproxima-se do de Edgar
Sempre sombrio e esquivo como o corvo
Sentido como um punhal
Que em incessantes movimentos
Espeta cada bocadinho deste corpo
Que agoniza cada momento
Nesta crença estúpida
De que amar é sofrer.


Nota : O título foi prontamente roubado de uma frase dita pela Condessa no romance de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, “O Mistério da Estrada de Sintra” publicado originalmente em crónicas no Diário de Noticias e lançado agora na colecção Livros de Bolso da Ed. Mensagem.
sentido por I Am No One às 2:14 da tarde | |

segunda-feira, maio 09, 2005

Assim dançam os insanos

E no entanto hoje parece-me um bom dia para voar

Sinto em mim
O desejo dos insanos
Revejo em mim
Gestos descoordenados
Criaturas alucinadas
De uma noite perdida
De um sono desencontrado
De uma dança perdida
Por entre uma sanidade contida

E no entanto hoje parece-me um bom dia para cair

Uma tristeza
Que voa por entre nuvens
Nesta manhã de pouca luz
Destino não tens
Doce infortúnio
Doridas investidas
Transformadas em doces carícias
De um membro insano
Que por ninguém responde

E no entanto hoje parece-me um bom dia…

Uma criatura
Sempre a mesma
Que não me deixa voar
Mesmo sabendo eu,
Que o não conseguiria
Mesmo sabendo eu,
O destino que teria.
sentido por I Am No One às 10:30 da manhã | |

quinta-feira, maio 05, 2005

Fechou-se...


Fechou-se…

Na escuridão que não havia
No fundo que não existia
E fez dos sentimentos
Um carrossel imparável
E conseguiu sem lamentos
Rasgar-se a si próprio
E esperar por uma sangria
Que lhe levasse tudo o que sentia
E pediu para que a dor que tinha
Ficasse de cor negra
E se confundisse na escuridão
Que apenas via
Fechou-se…
Sentou-se
E espera apenas
Afogar-se no próprio sangue...

5 Maio 2005
Nina
sentido por Ninagasol às 9:19 da tarde | |

terça-feira, maio 03, 2005

Suspiro

"Talvez o amor seja o processo através do qual
te conduzo suavemente de regresso a ti mesmo.
Não a quem eu quero que tu sejas, mas a quem tu és."
(Antoine de Saint-Exupéry)

Flutuava
Porque amava
Com esperança
Contra a distância
O sonho não fugiu
A vontade não partiu
O amor ficou cravado
Num momento alado
E o desejo aumentado
Num simples suspiro...


3 Maio 2005
Nina
sentido por Ninagasol às 12:47 da tarde | |