... may our thoughts never be against our feelings...

terça-feira, setembro 28, 2004

Tempo dum momento


Tempo

Que julgo por vezes que voa
Que sinto às vezes que pára.
Que não sei se é uma ilusão
O tempo dum momento
Que passa sempre pela sensação.
Tempo de momentos
Tão velozes mas lentos
Para de repente,
Serem vividos tão rapidamente
Absorvidos à velocidade feroz
Apenas da minha mente.
Momento
Que é de espera
Que é de emoção
Ânsia desse tempo de momento
De sentir o toque da tua mão.
Tempo que não lamento
Quando em pensamento
O transformo em emoção.
Momento que será maior que a razão
Será longo, docemente
E tudo o que seria para dizer
Será engolido, suavemente.
Tempo que seja agora lento
Para poder te dar
Para poder me oferecer
Para te deixar entrar
Para poder te ter...
E tornar em tempo eterno, aquele momento.

Setembro 2004
Nina

sentido por Ninagasol às 1:10 da tarde | |

Uma vida, um destino








Gravity, 1952
M.C. Escher



Um quarto cheio de nada
Uma vida de coisas nenhumas
Um caminho que nos corta
Um destino que nos cruza

Tudo tão cheio, cá dentro
Mas também, já pouco importa,
Está fechada a porta.
(Estará aberta e apenas
Não a vemos ao olhar?)
As pontes já não existem mais
Apenas abismos por saltar
Mas só se for grande a coragem
De se querer avançar
No ar, também se flutua
Dá-se um salto e chega-se à lua.
As pontes e abismos
Já não existem mais
Já se está tão distante
Já se está longe demais.

Um quarto que nos cruza
Uma vida que nos corta
Um caminho de coisas nenhumas
Um destino, cheio de nada...

Setembro 2004
Nina
sentido por Ninagasol às 1:00 da manhã | |

sábado, setembro 25, 2004

Apenas...




Tristeza
Apenas... tristeza e decepção
Duma parte da vida
Que eu tentei que fosse vivida
Com toda a emoção.
Mágoa
Apenas... mágoa e dor
Duma longa relação
Que acaba, por se ter apagado
A essencial chama do amor.

Fracasso
Apenas... fracasso e falhanço
Num terminar doloroso
Num abismo que alcanço...
Sentimentos esquecidos pelo chão
Amor e carinho
Que ambos deixámos escapar
(Talvez sem querer)... da nossa mão.

Recomeçar? Pois, porque não?
Mas te-la-ei sempre comigo
A minha amiga... solidão.
(Não esquecerei nunca todos os bons momentos.)

25 Setembro 2004
Nina


sentido por Ninagasol às 9:30 da manhã | |

quinta-feira, setembro 23, 2004

Quedas


Ias perpendicular à rua
Que na diagonal surgia,
Andavas como sendo tua
A vida que te fugia.
De repente, paraste.
Pura e simplesmente.
À espera? À procura?
Ou para que dolorosamente
A dor que te apertava no peito
Deixasse de ter efeito,
Em ti e no teu caminho?
Deste então um passo.
Mas caiste, desfalecida.
Levantaste-te e deste outro ainda.
E pensaste: "Não te sintas já vencida."
E falaste a ti própria: "Luta, por favor."
Eu de longe, soprei-te ao ouvido:
"Talvez se fores por aquele caminho,
Encontres mais firmeza..."
Tu olhaste o vazio, cairam-te várias lágrimas,
E disseste:
"Não é por cair. Não importa o caminho.
Não faz mal o sangue que escorre.
O que não passa, a cada passo que dou
É esta imensa tristeza.
É o tentar saber quem sou..."

Agosto 2004
Nina
sentido por Ninagasol às 9:05 da tarde | |

Lua Cheia




Hoje está lua cheia.
Olhei-a várias vezes, enquanto percorria o caminho escuro,
que me levava algures.

Sei que ela me via, mesmo quando não a olhava.
Pois, toda aquela luz prateada envolvia o meu caminho,
mesmo que eu não soubesse bem para onde me dirigia.
Acompanhou-me o tempo todo. Estava ali e pronto.
Virasse eu para a esquerda ou para a direita,
fosse em sentido norte ou voltasse para sul,
ela não deixou de me acompanhar.

Sempre assim foi, aliás.
A maior parte das situações na minha vida, quer os
momentos muito bons,
quer os piores, foi com ela.
Nunca soube porquê. Estava sempre lua cheia.
Por isso a olho, muitas vezes, quando ela está assim.
Por isso, tenho uma atracção incompreensível por ela.
Talvez para ver se entendo o que poderá acontecer, desta vez.
Talvez para lhe perguntar algo.
Mantendo apenas aquele brilho azul-prateado. Ela está ali e pronto.
Altiva e inatingível.
Como se me dissesse:
"Não sejas tola, menina,
tu é que fazes os teus momentos.
Eu apenas te ilumino nessas noites."
E eu, que sinto-me tão no escuro quanto o caminho que percorro,
Volto a olhar uma vez mais, e outra e novamente, para lhe pedir:
"Mas eu, desta vez, apenas... precisava que me abraçasses."

1/8/2004
Nina

sentido por Ninagasol às 9:15 da manhã | |

quarta-feira, setembro 22, 2004

...


É de noite. Vais partir.

Dizes-me que vai ser bom.
Eu digo-te que sim.
Que vai.
Mas engulo a palavra bom, dolorosamente.
Dás-me um beijo. Apenas um.
Só um basta.
Tem o tamanho do céu.
Eu, dou-te outro. Só um.
Tem o tamanho do mar.

É de noite. Vais partir.
Numa noite voltarás.
E até lá, irei estar
Num sopro de vento.
Assim poderei, tocar-te, acariciar-te
Mesmo sem o saberes.

Eu, estarei à distância dum desejo.
Vais, mas ficarás aqui, em mim.
Tu, estarás à distância dum beijo.
Vais, mas ficarás aqui, dentro de mim.
Vais dizer: Adeus, até...
E eu responderei, sussurrando baixinho,
Desejando que não oiças:
... Até logo.

22/9/2004
Nina


sentido por Ninagasol às 6:27 da tarde | |

terça-feira, setembro 21, 2004

ACORDEI

Acordei.
Ainda era de noite e o meu cão dormia sereno, encostado às minhas pernas, como que para me e se aquecer.

O vento lá fora soprava ruidosamente e a chuva era tão forte, parecendo que todas as estrelas do céu derramavam as suas lágrimas para cima de nós. Estava uma noite de temporal.
Foi quando ouvi aquele som, um som que tentei explicar pelo vento que fazia lá fora mas que parecia querer entrar como uma onda que deixa o mar para se perder nas rochas. Depois achei que era a chuva, forte e barulhenta, que chicoteava sem dó as janelas e tudo o resto que se encontrava estático.

Claro que só podia ser da chuva e do vento. Mas aquele som era tão diferente de tudo o que até então tinha ouvido que me pus atenta, esperando que algo me fizesse identificar o que se passava realmente.
Talvez esse som me tivesse feito acordar sem eu ter tido noção disso. O meu cão permanecia sereno a dormir pois encontrava-se em sono profundo sem se dar conta de nada.
Esperei uns minutos, talvez o temporal passasse. De todo, e aquele som voltou uma vez mais a se ouvir.

Fiquei paralisada. Desta vez, e um pouco mais acordada, percebi bem que não era do vento e da chuva.
Era um som dentro de casa. Pensei: abriu-se uma janela e teria entrado algum pássaro aflito ou um outro qualquer animal em pânico. Levantei-me sem barulho e lentamente como um caracol, mas o meu cão deu-se conta e saltou antes de mim para o chão. Lambeu-me contente como o fazia todos os dias ao acordarmos.

Fiz-lhe uma festa e calmamente, pé ante pé, dirigi-me pelo corredor sem acender a luz. Tremia, quer de frio quer de receio, agora já transformado certamente em medo, mas tremia, tremia muito e no peito, o coração saltava e voltava a saltar.
Fui andando até chegar à cozinha e reparei logo que nada se encontrava aberto, apesar da chuva bater com tanta força que parecia querer entrar de qualquer jeito. Tirando isso, tudo se encontrava calmo, menos eu.

Então, o que se passava? Que sons seriam aqueles que tinha ouvido do quarto? O meu cão encontrava-se calmo e seguia-me devagar. Foi então que, quando saí da cozinha, e já depois de ter aceso todas as luzes possíveis, a vi!

Encontrava-se precisamente à minha frente e olhava-me aterrada, tremendo e choramingando, apesar do seu chorar não ter o mesmo som que o nosso. Era esse som que eu tinha ouvido.
O meu cão limitou-se a ir cheirá-la, sem qualquer problema, sem ladrar e sem demonstrar qualquer medo.

Após isso, para meu grande espanto, lambeu-a.
Eu, porém, continuava presa ao chão, como se os meus pés tivessem criado raízes profundas, qual uma árvore centenária, sem conseguir perceber como era possível eu estar a viver aquela situação. Como era possível ela estar ali, à minha frente, dentro de minha casa e ainda mais assustada que eu?

Não, não era possível, pensei. Esfreguei os olhos, bati com as mãos na face, massajei a nuca e voltei a olhar.
Mas ela lá estava, no mesmo sítio e com o meu cão, agora deitado ao lado.
Sem saber bem porquê, não sentia medo nem fiquei mais assustada, pelo contrário, senti uma paz enorme, um calma interior que julgo nunca ter sentido até então. Parecia até, que o temporal que fazia lá fora, não existia na realidade.

Eu tinha em minha casa, à minha frente, uma pequena estrela! Uma estrelinha, como aquelas que desenhamos em papel e pintamos de amarelo e laranja. Uma estrela que brilhava com a sua própria luz.
Uma estrela pequenina que chorava e tremia. O que fazer agora?
Sendo tudo tão irreal, porque não tentar falar com ela, pensei. Assim, perguntei-lhe o que fazia ela ali e como era possível que tal acontecesse. E para não ter medo, pois eu não lhe faria mal algum.

Foi então que ela parou de tremer e soluçar e me respondeu. Era uma estrela ainda bebé e que, com o temporal que fazia, principalmente o vento forte, que ainda era mais forte lá em cima, para lá do céu, ela se desprendeu e caiu. Não sabia explicar como tinha entrado em minha casa, só sabia que tinha aparecido ali, e sentia-se apavorada, pois não sabia o que fazer, nem como regressar.

Tentei perceber toda aquela loucura. E, pensei que eu, também não sabia o que fazer. Como fazê-la voltar, a uma estrela caída do céu. Até parecia o título dum filme. Visto ser tão pequena, peguei nela com as duas mãos e levei-a para a janela e olhámos as duas para fora. A tempestade parecia agora mais calma e o vento tinha abrandado um pouco. Mas o que fazer?

Perguntei-lhe se sabia voar. Respondeu-me que só um pouco, pois era pequena e não tinha ainda muita experiência mas que poderia tentar.
Abri então a janela e disse-lhe para, com toda a sua força, e aproveitando o vento que ainda fazia, que ela tentasse voar, para bem alto, podendo assim voltar ao seu céu. Passados alguns minutos de encorajamento da minha parte, e de um latido apenas do meu cão, ela preparou-se para tentar.

Foi então que, incrédula, vi que se formava um raio de luz azul, que mais parecia uma estrada, vinda lá bem de cima, do céu que ainda se encontrava bem escuro e totalmente coberto por nuvens. Ela sorriu e tornou-se mais brilhante. Algo lá em cima a procurava.Assim, vi-a deslocar-se para a luz, que a foi levando lentamente.

Voltou-se apenas uma vez, mas brilhava tanto que mal conseguia olhar para ela. Estava feliz e de regresso. Olhou-me e agradeceu-me, e da sua luz enviou-me um raiozinho que me envolveu e que se transformou em pequenos brilhantes cintilantes.

Vi-a desaparecer. No céu surgiu uma luz, que parecia dum relâmpago, mas que eu sabia que desta vez não era. Ela tinha chegado ao seu céu. Entretanto, a tempestade parecia estar a afastar-se. Tudo se tornava mais calmo e sereno.

Que noite! Que situação incrível aquela, que eu nem acreditava ter vivido. O meu cão lambeu-me a cara e voltou a lamber. Não percebia bem como, mas quando lhe fiz uma festa e me voltei, na cama onde ainda me encontrava deitada, reparei que uma luz entrava pelo quarto. A estrelinha?! Não!

Era apenas o dia que nascia, e eu inevitavelmente… acordei.

1-Nov.-2003
Nina


sentido por Ninagasol às 1:30 da tarde | |

domingo, setembro 19, 2004

Ela saiu!









Untitled/Female Figure
with Head of Flowers, 1937
Salvador Dali
Ela saiu…
Como se fosse para sempre.
Mas voltou… como sempre.

Levava na alma aquela dor que
Não se sente, não se vê.
Trouxe no coração aquele aperto que
Não se vê, não se sente.
Deu voltas ao pensamento…
Desembrulhou o sentimento,
Mas no olhar, tinha ainda um lamento.
Chovia no seu coração, desagradavelmente.
Procurou o sol, desesperadamente.
Parou em sinais, por respeito
E para que ninguém lhe notasse
Aquela dor no peito.
Mesmo assim sorriu,
A quem inevitavelmente se dirigiu.
Chorou, sem ninguém ver,
Aquelas lágrimas que tantas vezes engoliu.

Ela saiu…
Como se fosse para sempre.
Mas voltou… como sempre.

Ela entrou…
Como se não tivesse saído.
Mas sentiu… como se não tivesse entrado…

22/5/2004
Nina
sentido por Ninagasol às 1:24 da tarde | |

Des(encontros)


Eu já ali me encontrava
Saboreando o meu café
Sozinha, em silêncio, calada.
Ele entrou. Apressado.
Ficou de pé.
Trazia nos lábios um sorriso magoado
E nesse sorriso, uma lágrima escondida,
Um lamento disfarçado,
Uma emoção esquecida.
Olhei-o, inevitavelmente
Observei-o, vagarosamente
Fiquei parada a absorvê-lo.
Senti, repentinamente,
Que queria entendê-lo.
Algo aconteceu naquele momento
Ele deixou cair um lamento
Eu, sem querer, um sentimento.
Fixámos o olhar
Tentei perguntar tudo, sem falar
Tentou responder-me, sem parar…
Levantei-me. Saí.
Julgo ter tropeçado. Caí.
Ele seguiu-me. Deu-me a mão.
Ajudou-me e disse apenas: Não.
Não? – repeti sem perceber
Ouvi então: Vou tentar esclarecer.
Não será agora nem hoje,
Temos tempo, teremos calma.
Quero a tua alma.
Quero que queiras a minha razão.
Não, não será hoje.
Teremos sempre,
Teremos sempre aquele olhar
Para me dares e eu te dar…
Olhei-me um pouco tonta
Senti-me um pouco perdida
Mas apenas consegui ouvir-me dizer:
Terás o tempo que te apetecer…

Setembro 2004
Nina

sentido por Ninagasol às 11:23 da manhã | |

sábado, setembro 18, 2004

Escrever



Escrever…
Escrever para quê?
Se ninguém ouve, se ninguém vê.
Expressar sentimentos reprimidos?
Relembrar sonhos esquecidos?
Escrever apenas para desabafar…
Dizer aqui o que não posso
O que não consigo sequer pensar?
Mas nem aqui eu sei dizer
Aquilo que tento entender.
Nem aqui eu sei falar
Daquilo que busco com o olhar.

Escrever…
Palavras soltas e perdidas
Que juntas fazem frases
Mas o que dizem?
As estrelas não as sabem ler
O luar não as sabe olhar.
E eu que também queria saber
Apenas estou aqui, não a escrever,
Mas estupidamente a chorar…
Setembro 2004
Nina

sentido por Ninagasol às 1:05 da tarde | |

sexta-feira, setembro 17, 2004

Losing...


Losing My Religion

R.E.M.- Out of Time (1991)

Oh, life is bigger
It's bigger than you
And you are not me
The lengths that I will go to
The distance in your eyes
Oh no I've said too much
I set it up.

That's me in the corner
That's me in the spotlight
Losing my religion
Trying to keep up with you
And I don't know if I can do it
Oh no I've said too much
I haven't said enough

I thought that I heard you laughing
I thought that I heard you sing
I think I thought I saw you try

Every whisper
Of every waking hour I'm
Choosing my confessions
Trying to keep an eye on you
Like a hurt lost and blinded fool, fool.
Oh no I've said too much
I set it up.

Consider this. Consider this
The hint of the century
Consider this
The slip that brought me
To my knees failed
What if all these fantasies
Come flailing around
Now I've said too much

I thought that I heard you laughing
I thought that I heard you sing
I think I thought I saw you try
But that was just a dream
That was just a dream

That's me in the corner.
That's me in the spotlight
Losing my religion.
Trying to keep up with you.
And I don't know if I can do it.
Oh no, I've said too much.

I haven't said enough.
I thought that I heard you laughing
I thought that I heard you sing.
I think I thought I saw you try.
That was just a dream.

Try. Cry. Fly. Try.
But that was just a dream, just a dream, just a dream, dream.
sentido por Ninagasol às 7:09 da tarde | |

quinta-feira, setembro 16, 2004

Pensador.. eu...
Finalmente teremos a honra de ver, ler, sentir e aprender com uma menina que a todos delicia com os comentários...
Seja um sonho ou um pesadelo, uma tristeza ou uma alegria, nada interessa aqui... Aqui o mundo é teu as palavras são tuas.. e eu só cá virei manchá-las de vez em quando, para que não te esqueças que um dia me ajudaste, e para que eu não me esqueça que também o poderei fazer.


sentido por I Am No One às 2:07 da tarde | |

quarta-feira, setembro 15, 2004

Uma noite no mar





Aquela noite estava tão gelada. Apesar da lua cheia e linda lá estar, sempre, a seguir-me com o seu luar, parecia que todo o gelo do Norte estava ali, aqui, comigo.

Eu caminhava até ao mar, via-se bem o caminho e eu sentia-o pelo seu cheiro da maresia, como se de perfume se tratasse, para parecer mais belo, mais sensual.

O frio era tanto que gelava-me as mãos, a cara, os braços... o coração não, esse já ia gelado. As lágrimas caiam, uma a uma, não como choro mas por falta de resistência ao vento, que me rasgava a pele como facas aguçadas.

Mas eu tinha de ir. Tinha de lá chegar, nem que ao chegar perdesse todo o calor que ainda havia no meu corpo, toda a resistência que ainda existisse. Mesmo que desfalecesse na areia, também ela gelada.

Naquela noite, tinha de ir... ter com o mar, gelado também ele, tal como tudo o que me rodeava. Tal como tudo o que eu interiorizava. Tal como eu sentia tudo. E consegui chegar. O mar nessa noite estava rebelde, com ondas de revolta e agonia, brilhante de negro, como só ele e a lua nos sabem dar essa cor.

Caminhei, descalça na sua direcção... Lentamente senti a sua espuma acariciando-me os pés. Lentamente, comecei a tremer. Fui avançando para ele, para dentro dele. As ondas tornaram-se maiores, como que a dizer-me algo. A espuma estava de branco/neve, as rochas que lateralmente nos olhavam, mantiveram-se caladas, num negro estático.

As estrelas no céu, de tão gelado que tudo estava, nem se viam a cintilar, como se nem existissem. Continuei, e uma onda veio, agarrou-me, enrolou-me, acho que me deu como se de um beijo se tratasse e voltou a devolver-me à areia fria e parada, como se ali estivesse para me receber.

Quando consegui respirar, olhei-o questionando: "Porquê?"

O mar apenas me enviou uma onda pequenina, com a resposta: "Tens ainda muito para dar, para amar, mesmo que sofras, mesmo que não recebas. Não é hoje a tua noite… ainda."

Regressei, então. Mais gelada ainda, mais amarga ainda... e um pouco mais salgada.Agosto 2004
Nina


sentido por Ninagasol às 3:45 da tarde | |

terça-feira, setembro 14, 2004

Magia


Magia, que tens de ser mágica

Para que eu te sinta
Nos meus pensamentos.
Magia sem toque, sem sensação
Que vives nos meus sentimentos.
Magia sem cartola, sem coelhos a saltar
Não és nada fácil de encontrar.
Magia daquele momento,
Em que senti um lamento
Sem te poder alcançar.

Magia que se tornou mágica
Pois feita por ti
Transformou aquele desejo
Num simples e ardente beijo.
Magia que em ti, existe sim
Pois tão longe e distante
Conseguiste, magicamente
Estar dentro de mim...
Setembro 2004
Nina


Dedicado a quem, sem truques de magia, faz a magia sonhar e ser.
Obrigada.
sentido por Ninagasol às 1:12 da manhã | |

segunda-feira, setembro 13, 2004

Nascimento...



Surgiu, apenas...

Vamos sonhar que "cresça".
E que dos sentimentos que por aqui irão ser deixados,
possam surgir pensamentos que voem.

sentido por Ninagasol às 2:08 da manhã | |